O livro Brasil no Espelho, fundamentado na pesquisa realizada pela Quaest, do cientista político Felipe Nunes, aponta diversas mazelas do país. Ainda assim, identifica que permanece um forte orgulho em ser brasileiro. É curioso, pois, diante de tantos problemas, seria natural imaginar um índice mais baixo de orgulho nacional.
Eu compartilho desse sentimento e encontro diversas razões para isso. Creio, porém, que o maior impulsionador desse orgulho é a cultura brasileira. Ela se manifesta em múltiplos níveis: do futebol – ainda que um tanto descredibilizado nos últimos anos – às artes em geral, à culinária, às belezas naturais e, em especial, à riqueza do nosso repertório musical: múltiplo, sofisticado e popular ao mesmo tempo. Tudo isso é resultado da diversidade étnica que marca nosso país continental.
Vale registrar que estamos às vésperas de mais uma edição do Oscar, na qual o cinema brasileiro concorre com cinco indicações. O brasileiro está preparado para torcer como se fosse uma partida da seleção – ou até com mais entusiasmo.
Ontem fui profundamente tocado por esse orgulho. Pela segunda vez, assisti ao espetáculo Aquele Abraço, no Roxy Dinner Show, em Copacabana. Trata-se de um show pensado para turistas – tanto estrangeiros, quanto visitantes de outras regiões do Brasil. Confesso que, na primeira vez, minhas expectativas eram baixas. Desta vez, eu já sabia o que encontrar, ainda que tenha percebido variações positivas entre as duas experiências. Em ambas, no entanto, o impacto foi profundo.
Em primeiríssimo lugar, por reconhecer como é rica nossa cultura. Como a diversidade fez bem ao nosso povo. Como a geografia nos torna um lugar único. Como as diferentes crenças nos enriqueceram. E mais: como a gente é musical! Plateia razoavelmente cheia. Gringos diversos, de língua inglesa, de língua espanhola, de língua italiana, entre outras. Havia um grupo de indianos. E, naturalmente, vários brasileiros, possivelmente de fora do Rio. Eu, por exemplo, estava levando parentes de Fortaleza.
E, em segundo lugar, pela qualidade do espetáculo. Imagens incríveis, direção espetacular do amigo Abel Gomes (mais uma vez, orgulho de você, Abel). Direção musical, escolha do repertório, qualidade dos artistas em cena. Coreografia, figurinos impecáveis. E, coroando tudo, uma produção audiovisual de primeiríssimo mundo.
Com dois palhaços/lanterninhas de cinema, que ciceroneavam tudo de forma divertida e claramente inspirados no modelo do Cirque du Soleil. Maravilhosos.
Vale destacar a ousadia de Alexandre Accioly em fazer este forte investimento na recuperação do equipamento Cine Roxy e em apostar no projeto. O Rio te deve essa, Accioly.
Também fiquei orgulhoso de ver que meu cliente, a Caixa, é um patrocinador relevante do projeto. Valorizar a cultura brasileira é um ativo valioso para uma marca que tem os compromissos sociais que a Caixa tem.
Fiquei sabendo, nas conversas do foyer, que vem aí um bloco sobre mineiros. Realmente, será uma introdução relevante. Já estou curioso para ver.
Não tenho nenhuma relação direta com o Roxy Dinner Show. Mas me senti na obrigação de relatar um pouco da minha experiência. Especialmente, para referendar o show e dizer que todo mundo precisa ir lá reconhecer a beleza do trabalho que é este. E aumentar o orgulho de ser brasileiro.





















